“Sou feito das terras que me viram crescer, das mãos que me ensinaram e das memórias que me moldaram – e é desse legado que nasce o vinho que faço.”

O meu trabalho alicerça-se no respeito profundo pela terra e da paixão pela agricultura biológica. Defendo uma viticultura guiada pela observação dos ecossistemas como um todo, onde tudo funciona em plena harmonia. A terra deve ser trabalhada desde a base – não como um sistema que recebe apenas o estritamente necessário – uma vez que é um organismo vivo, que responde quando tratado com equilíbrio e consciência.
“Não trabalhamos com fábricas, mas com a Natureza.”
O solo é muito mais do que terra, é o organismo vivo e dinâmico onde tudo começa. Aqui, os microrganismos atuam como mediadores invisíveis, o clima como força modeladora, a biodiversidade garante estabilidade natural, a vinha traduz esse equilíbrio e, consequentemente, o vinho traduz-se na síntese perfeita de todo o ecossistema.
A minha passagem pelo Alentejo reforçou a importância das práticas que outrora eram comuns: a simbiose entre o rebanho e a cultura agrícola. As ovelhas são as “corta-relvas” naturais que controlam a vegetação, reduzem a necessidade de inputs externos e alimentam-se espontaneamente da flora que o ecossistema oferece. Assim, torna-se essencial criar pastagens nutritivas dentro da vinha — um benefício simultâneo para a planta e para os animais, resultando num ecossistema em equilíbrio absoluto.
“O produto final não comanda a uva – a uva é que comanda o vinho.”
No que ao vinho diz respeito, mantenho a coerência que aplico na vinha. Defendo a vinificação de castas autóctones, adaptadas ao terroir que as viu nascer, onde conseguem expressar o seu potencial máximo. A vinha é a base de tudo, um bom vinho nasce sempre de uma videira bem tratada. Luto pela autenticidade regional, evitando vinhos estandardizados e recorrendo ao mínimo de intervenções possível. A exclusividade deve ser a norma: castas únicas, lotes pequenos e monocastas destacados sempre que fazem sentido. Não procuro fazer vinhos iguais todos os anos; é a vindima que dita o vinho, e não o contrário.
A minha missão é clara, e consiste em criar valor acrescentado e revelar o potencial de cada região de Portugal. O vinho deve existir pela qualidade, não pela quantidade. A verdadeira questão é simples:
Preferimos vender pouco e bem, ou muito e mal?
Com a história e riqueza vitivinícola que Portugal possui, a ambição só pode ser alta. O objetivo é elevar, honrar e representar o nosso país através de vinhos autênticos, expressivos e profundamente ligados ao lugar de onde vêm.